O Laçador e as Supercuias: Nossos monumentos estão nos lugares onde sua voz ecoa mais forte?

*Por: Voltencir Fleck | Radialista e Jornalista

Toda vez que passo pelo Parque da Harmonia me reacende um questionamento que, tenho certeza, mexe com os brios e a identidade de quem vive em Porto Alegre ou no Rio Grande do Sul: será que os nossos monumentos estão nos lugares onde sua voz ecoa mais forte?

Na “Terra do Tchê”, a porteira é o cartão de visita de qualquer estância; é ali que se firma o primeiro aperto de mão.

O Parque Maurício Sirotsky Sobrinho — popularmente conhecido como Parque da Harmonia — é o epicentro das nossas tradições, o solo sagrado onde a cultura pulsa, especialmente durante o Acampamento Farroupilha.

Mas, ao olharmos para essa “porteira” da nossa maior querência urbana, cabe uma provocação necessária: o símbolo que ali está conversa com a alma do local?

Hoje, o Harmonia é guardado pelo Monumento às Cuias, ou “Supercuias”.

Criada pelo renomado artista plástico gaúcho Saint Clair Cemin para a 4ª Bienal do Mercosul em 2003 e instalada em março de 2004, a obra é um tributo à nossa hospitalidade.

É uma escultura imponente, com quatro toneladas e nove metros de altura, que une doze cuias gigantescas para formar uma representação fluida e geométrica do nosso chimarrão.

Respeitar este monumento é reconhecer o valor da vanguarda, muito embora o folclore popular tenha lhe rendido apelidos que, por vezes, nublam sua visão artística singular.

Por sua vez, temos o Monumento ao Laçador.

Esta histórica obra de bronze, com 4,45 metros de estátua e mais de seis metros de altura total com o pedestal, pesa 3,8 toneladas.

Esculpida por Antônio Caringi em 1954 e inaugurada em 1958, foi inspirada no folclorista santanense João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, sendo a legítima materialização do gaúcho pilchado.

Levá-la para a Orla, junto ao Harmonia, não seria apenas uma mudança logística, mas um resgate de pertencimento.

Seria colocar o “sentinela do Rio Grande” onde o povo celebra sua história, conferindo-lhe uma visibilidade muito mais turística e integrada ao lazer da capital.

Minha sugestão, para além da realocação, é um salto de modernidade: que o Laçador ocupe um palco giratório e iluminado no Harmonia, permitindo que seu olhar alcance todos os ângulos da capital, cercado por bandeiras e uma pira para chamas simbólicas de grandes eventos.

Em contrapartida, as Cuias seriam levadas para a Avenida dos Estados, em frente ao primeiro terminal do Aeroporto Salgado Filho – onde hoje está o Monumento ao Laçador.

Ali, em um pedestal dinâmico, a obra de Cemin cumpriria um papel simbólico essencial: ofereceria o primeiro “mate” de boas-vindas a quem chega e o afetuoso “mate do estribo” a quem parte, servindo como portal de hospitalidade da nossa Querência.

Sabemos que tal proposta gera debates acalorados sobre patrimônio e logística.

Mas o patrimônio não deve ser estático ou esquecido; ele deve ser vivo. Como bem legou o mestre Paixão Côrtes: “tradição não é voltar ao passado, mas cultuar o passado” e, além disso, que “gaúcho é um estado de espírito, não é um nascer, é querer ser”.

Diante disso, a sugestão e o questionamento estão lançados: queremos manter os nossos símbolos onde o tempo os estagnou ou onde sua força simbólica possa, de fato, pulsar a alma do Rio Grande do Sul?

Afinal, nada seria mais emblemático do que ter, à porta do Harmonia, o homem que foi o modelo para o próprio Laçador e que dedicou a vida inteira para garantir que a nossa cultura seguisse viva.

No fim das contas, o que deve falar mais alto no coração da nossa maior querência: o bronze histórico do sentinela “O Laçador” ou a vanguarda estética das “Supercuias”?

Considerando ser esta a minha visão, convido o leitor a compartilhar sua opinião pelo e-mail: fleck.peloscaminhosdoriogrande@gmail.com

Voltencir Fleck – Radialista e Jornalista

Editor do Portal e apresentador do Programa/Podcast Pelos Caminhos do Rio Grande | www.peloscaminhosdoriogrande.com.br

Editor do Portal e da Rádio Cidade de Gramado Online | www.cidadedegramadoonline.com.br

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12 thoughts on “O Laçador e as Supercuias: Nossos monumentos estão nos lugares onde sua voz ecoa mais forte?

  1. Taylor cechin maio says:

    O melhor é encontrar um equilíbrio que mantenha a dignidade dos monumentos e permita que nossa identidade se expressa de forma orgânica e autêntica. Afinal, manter os nossos símbolos nos lugares onde eles são mais fortes em termos de emoção e memória é fundamental para preservar uma parte da nossa história vivida. Mầm non đồng nai, há que se considerar a importância dos monumentos como palco histórico. maio sendo

  2. Taylor cechin sendo says:

    Sổ tay mầm non đà nẵng, ơi! Essa proposta de realocar os monumentos para melhor integrarem nossa cidade é uma reflexão valiosa e necessária. O Laçador e as Supercuias são símbolos da hospitalidade que tanto nos conectam a nosso patrimônio gaúcho, mas atualmente estão esquecidos nas paradas turísticas. Isso faz pensar em como podemos melhorar nossa identidade com essa revitalização dos espaços históricos? sendo necessária

  3. Taylor cechin queremos says:

    Mầm non hà nội – O texto sobre os monumentos e as Supercuias é realmente cativante! É incrível como cada detalhe do acampamento Farroupilha tem sua própria história e importância cultural. Me chamou muito a atenção o questionamento sobre onde os nossos monumentos estão se alinham com suas respectivas tradições. E essa discussão sobre a hospitalidade é tão interessante, afinal, nos lembramos tanto do Laçador quando de tantas das Cuias. queremos todos

  4. Taylor cechin qualquer says:

    Reading this article about the location of our monuments and their historical significance, I couldn’t help but think about a place near me called Trường học phía nam in Vietnam. It’s known for its beautiful scenery and cultural significance as well. The idea that these places hold such deep meaning to their respective communities is truly humbling. qualquer estático

  5. Taylor cechin hospitalidade says:

    The article touches on the balance between respecting heritage and modernizing public spaces, which is crucial in today’s world where preserving our cultural roots is more important than ever. By doing so, we can keep alive the spirit of the Laçador that has been an integral part of Brazilian folklore for decades. Giáo dục miền bắc. hospitalidade vanguarda

  6. Taylor cechin bandeiras says:

    Mầm chòi lá, essas transformações em nosso patrimônio cultural são inevitáveis e de grande importância para preservar nossa identidade. Os monumentos não devem se estagnar com o tempo, mas deveriam ser atualizados para seguir as tendências do século XXI. Acho incrível como Saint Clair Cemin usou seus talentos para criar uma obra tão significativa em 2003, e o Laçador é um exemplo de vanguarda que merece respeito. bandeiras Esculpida

  7. Taylor cechin simbólica says:

    E quando estou perto do Parque da Harmonia e vejo o Laçador ali na praça… Trước cổng trường, é como se eu pudesse ouvir seus passos antigos em cada puxa de mão que nos fazem. Respeitar este monumento não é apenas respeito pelo símbolo do nosso folclore; é também reconhecer o valor da vanguarda e as lutas por uma cultura que sempre pulsa forte como o nosso rio. simbólica estão

  8. Taylor cechin conversa says:

    Perhaps we should embrace this chance to breathe life into these artifacts that have become part of the fabric of Rio Grande do Sul, allowing them to once again resonate with the heart and soul of the region. This is a conversation worth having – how best to preserve heritage while also evolving it for future generations. Việt Nam PreSchool Réources. conversa este

  9. Taylor cechin seria says:

    Talvez seja hora de reavaliar a nossa hospitalidade e o respeito pela vanguarda. E então, por fim, eu penso que talvez seria muito bom se fossem colocados ambos os monumentos em um local onde a cultura do nosso querêra possa vibrar. Seu questionamento é tão relevante quanto sua sugestão: “mầm non việt nam” – Seria uma pena perdê-lo, mas teríamos mais visibilidade global e hospitalidade que se perpetuassem? seria estão

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